Dicas de Berlim por Laura Ammann
Há no bairro de Spandau, relativamente afastado do centro de Berlim (mas de fácil acesso), um antigo forte chamado hoje de Zitadelle Spandau.
Zitadelle é a palavra alemã para cidadela, enquanto Spandau vem de Spandow, uma cidade, cuja primeira notícia de que se tem conhecimento data de 1197. Existem, no entanto, registros da região desde o século 6, quando ela era dominada por uma tribo eslava chamada Heveller – de onde vem o nome do Rio Havel, que passa por lá – mas principalmente por volta de 1197 que a cidade começou a se desenvolver. Isso porque o conde Alberto I de Brandemburgo, apelidado de Alberto, o Urso, construiu ali um burgo e um castelo, que a partir de então foram crescendo cada vez mais.
Alguns séculos depois, em 1539, a cidade que hoje é bairro se tornou oficialmente protestante, parte do que se pode ver até hoje em Spandau.

Foto: Laura Ammann
É também do século 16 que data boa parte da estrutura do forte de Spandau. Formando uma miscelânea de datas, diferentes partes da Zitadelle têm também diferentes idades. A estrutura que se vê hoje foi construída entre 1559 e 1594, por cima, entretanto, de um forte ainda medieval.
A construção, típica do século 16, tem quatro torres simétricas, que formam entre si um quadrado e são conectadas por longas galerias de paredes largas. Desse modo, não havia ponto cego para proteger um inimigo – ele era sempre visível. Dois arquitetos italianos da época foram responsáveis pelo desenho do forte: Francesco Chiaramella de Gandino e Rochus Graf zu Lynar.
Em 1806 as tropas de Napoleão conquistaram a Zitadelle e destruíram-na quase completamente. Após ter sido restaurada, no século seguinte os nazistas instalaram um laboratório de pesquisas em gás no local e, pouco depois, durante o fim da segunda guerra, suas estruturas serviram também como defesa civil. Após ser tomada por curto tempo pelos soviéticos, a Zitadelle passou a pertencer aos Ingleses durante a Alemanha dividida e serviu de prisão, juntamente com outra no mesmo bairro, mais famosa por ter encarcerado alguns ex-oficiais nazistas.
Hoje em dia, a visita a Zitadelle Spandau pode ser motivada pelas exposições que ele abriga, pela sua própria arquitetura ou pelo evento anual Citadel Music Festival. A antiga cidade, cercada por água, conta com exposições permanentes e temporárias.
As permanentes focam na história do forte, nos seus idealizadores e nas personalidades históricas que fizeram parte da sua trajetória. São expostos objetos como roupas, escritos, mapas e objetos de guerra (principalmente canhões). Com nove diferentes galerias, as exposições temporárias se focam em arte e em monumentos ou esculturas. Neste ano, por exemplo, a exposição “Unveiled” chamou bastante atenção concentrando diversos monumentos públicos que fizeram parte da história política de Berlim.

visto do lado de fora do muro do forte
Foto: Laura Ammann
Além das exposições, a própria estrutura do forte renascentista pode ser visitada, e ela vale a pena por ser o mais bem preservado exemplo dessa época. Também é uma boa ideia subir na torre Juliusturm, que leva à uma vista incrível da cidade. Curtinha, a escadaria torre acima tem menos de 200 degraus – é pouco para o padrão europeu de “subida a monumentos”.

Foto: Laura Ammann

Foto: Laura Ammann
Outra opção é o festival de música organizado anualmente desde 2005 no centro do forte. O único porém é que o festival acontece somente no verão – como o espaço no interior do muro é aberto, ele é praticamente inviável no inverno. Leia mais aqui.

Foto: Laura Ammann
A boa notícia é que entrar na Zitadelle Spandau e acessar todas as suas galerias custa muito menos do que a média dos museus em Berlim (cerca de € 4). Outro fator agradável é que a Zitadelle nunca está tumultuada; dá para fazer uma visita tranquila. E um aspecto particularmente bonito de cidades muradas na Europa – a Zitadelle Spandau é só uma delas – é ver os seus desenhos no mapa: elas formam sempre pequenas estrelas recortadas por água.
Onde encontrar:
www.
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Adorei! Ainda não temos um post sobre a Zitadelle, apesar de já termos explorando Spandau, rsrs 🙂
Abraços!!