Em São Paulo, de segunda a segunda, é bem comum pegar uma ligeira (ou não) espera para conseguir uma mesinha nos restaurantes.
É bem chato esperar, o assunto que estava reservado para o jantar vai se acabando… A fome aperta, e os drinks também!
Mas existe uma diversão ótima para matar o tempo: observar as pessoas que chegam no restaurante.
Tem aquele cara que entra com pinta de dono, peito estufado, olhando ao redor à procura de conhecidos, vai direto à hostess ou ao maitre, os cumprimenta como velhos amigos. Ele quer mostrar para todos que é cliente da casa, conhece todo mundo, e manda ali. Tem a falsa impressão de que, agindo assim, irão passá-lo na frente dos demais. No fim, ele termina ali num cantinho do balcão como um reles mortal na espera pela sua mesa.
Tem ainda aquela que entra fazendo cara de modelete, desfilando pelo corredor como se fosse uma passarela, olhando perturbadamente à sua volta em busca dos amigos. Essa sempre é a atrasada, os amigos gritam “Ahhh até que enfim!”, ela então se senta, relaxa a pose e se joga no couvert.
Tem aquele que entra falando ao telefone, ou melhor, segurando o celular junto ao ouvido sem babulciar nenhuma palavra. Sempre me pergunto se há de fato alguém do outro lado da linha. Afinal, quem nunca fingiu estar falando no celular, talvez por timidez, em situações como a chegada a um restaurante badalado?
E aquela que está falando mesmo ao celular, normalmente míope ou simplesmente desligada, “Estou aqui, mas não estou te vendo. Onde? Ué, cadê? Ahhh já vi!”. E assim se une à turma.
Não muito longe dessa, tem o perdido, que pega uma mesa quando chega, e nem se dá conta que a galera já está lá atrás em outra mesa há horas. Até surgir a comunicação com os amigos, ele já está no suquinho de tomate e no pãozinho com azeite. “Garçom, você pode mandar meu suco para aquela mesa ali, por favor?”.
Aí tem o casal. Aliás, os casais, porque dependendo do par, a cena muda por completo. Existe aquele sujeito que entra correndo na frente e deixa a namorada atrás com cara de perdida. E aquele que põe a namorada para entrar primeiro, e ela fica parada na frente do maitre, sem falar, balançando a cabeça, já irritada, em incentivo para o encostado do namorado pedir uma mesa.
Tem também o casal indeciso, ou sem intimidade suficiente, que com a resposta do tempo de espera fica com cara de paisagem, um sem ter coragem de dizer ao outro “Vamos para outro lugar, porque estou verde de fome”.
– 40 minutos. Quer esperar?
– Ah, para mim tanto faz.
– Você que sabe.
– Hummm…
– Quer beber algo?
– Ah, pode ser. Você vai beber?
Esse tipo de casal é bom, porque economiza assunto para o jantar!
E tem ainda aquele tipo, assim como eu, que fica num cantinho reparando no jeito das pessoas ao adentrarem o recinto! E se diverte com isso.

Foto: Reprodução
E você, qual é o seu tipo na espera do restaurante? 😛

aninha, me lembrou mto o Mercearia sabado!! kkkkk varios personagens como esses!! bjss, texto otimo! veva
Na mosca dona Ana Maria.
Se me permite só faltou aquele que leva vinho barato e não quer pagar rolha.