Dicas de Berlim por Laura Ammann
Até o dia 22 de janeiro deste novo ano quem estiver em Berlim poderá ver uma pequena, delicada e coerente exposição. O Bode Museum, na Ilha dos Museus da cidade, está apresentando uma mostra sobre um dos escultores mais famosos do neoclassicismo, Antonio Canova.
A escultura neoclássica, marcada, entre outros aspectos, pelo branco impecável do mármore e pela retomada dos conceitos clássicos e, portanto, antigos, sempre encontrou terreno fértil na Alemanha – não esqueçamo-nos de Winckelmann – e, por isso, expor Canova aqui é especial.

1798-99
Foto: Laura Ammann
Italiano e sensível ao movimento do corpo humano, Canova é conhecido por suas esculturas, mas possui também diversos estudos em desenho e pinturas. A exposição “Canova und der Tanz” (Canova e a dança) foca-se nos trabalhos – esculturas, desenhos e pinturas – que captam o instante, o movimento e, mais precisa e logicamente, a dança. Os mais famosos trabalhos de Canova são obras públicas e representações políticas ou mitológicas, mas registros indicam que a dança e a música eram temas de constante atenção do artista, presentes nos seus diários e estudos.

1796
Foto: Laura Ammann
A Berlim, especialmente para a mostra, vieram duas esculturas emprestadas do Hermitage, em São Petersburgo, e da cidade natal de Canova, Possagno. Entre os destaques da exposição está a escultura “Dançarina com pratos”, colocada bem ao centro da sala principal e cujos detalhes impressionam os visitantes: o drapeado do tecido, os cachos do cabelo e o laço da sapatilha parecem ser modelados em seda e não esculpidos em pedra.

1798-99
Foto: Laura Ammann
Pinturas em têmpera de dançantes ninfas e figuras mitológicas abrem – ou encerram, dependendo do percurso – a exposição no Bode Museum. As esbeltas figuras, pintadas em tons calmamente coloridos, contrastam com o fundo negro dos papeis, que, por sua vez, contrastam com o branco quase “purpurinado” do mármore das esculturas.

1809-12
Foto: Laura Ammann
A boa conduta mandaria, hoje, não classificar os laços, drapeados, penteados e tons “bebês” dos trabalhos expostos como femininos – tampouco seria correto classificá-los apenas por isso – e, no entanto, a mostra é um confortável microcosmo de beleza – quando ainda era isso que regia a arte.
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