Dicas de Berlim por Laura Ammann
O Barberini Museum tem causado entusiasmo desde antes de sua recente inauguração. Com cobertura internacional, o novo museu de Potsdam foi recebido com alta expectativa e já consta na lista das aberturas mais importantes do ano de acordo com o jornal inglês The Guardian. Aberto há menos de duas semanas (o evento contou com a presença de Angela Merkel e Bill Gates), o Barberini deve passar por um período áureo nos próximos meses, a julgar pelo numeroso público dos últimos dias.

Foto: Divulgação
O prédio que abriga o museu foi originalmente construído em 1771 sob encomenda de Guilherme Frederico, o grande. Sua arquitetura se inspira no palácio homônimo de Roma, parcialmente desenhado por um dos grandes escultores italianos, Bernini. Coincidentemente, o Barberini de Roma também existe hoje como um museu – veja mais aqui.

Foto: Laura Ammann
Como acontece com frequência em Berlim, o Barberini de Potsdam teve diversas funcionalidades até assumir a sua atual. Tendo sido na década de 1910 o primeiro cinema da cidade, foi, em abril de 1945, quase completamente bombardeado. Sua reconstrução só terminou em 2015, e hoje, no último andar do museu, uma das salas é dedicada a contar a história do local.

Foto: Laura Ammann
A fachada principal do Barberini Museum – onde se vê a grande semelhança com o Barberini romano – divide uma grande praça com a Nikolaikirche (igreja de São Nicolau). Oposta à entrada principal há um jardim (criado oportunamente dentro do espaço vago deixado pela arquitetura em “U” do prédio) onde uma enorme escultura encara o rio Havel. A escultura, uma figura humana que com um dos braços faz a saudação nazista e com o outro o raised fist comunista, já se tornou um cartão-postal do museu. (O trabalho é do artista alemão Wolfgang Mattheuer e se chama Jahrhundertschritt, algo como “passo do século”).

Foto: Laura Ammann
O empresário e filantropo alemão Hasso Plattner está por trás da realização do Barberini Museum. Não só a coleção vem da sua fundação, como parte do dinheiro investido na reforma do prédio também veio dele. No site do Barberini Museum, Plattner e alguns funcionários apresentam o local em um vídeo, onde o alemão comenta sucintamente um dos focos da coleção: as marinhas impressionistas. Principalmente a partir do segundo andar do museu, a água passa a ter um importante papel na curadoria.
As grossas camadas de tinta azul são organizadas quadro após quadro obedecendo uma gradação de tons; do mais escuro ao mais claro, do mais esverdeado ao mais luminoso. Dentre a impressionante quantidade de Monets, estão figurados também artistas como Eugène Boudin, Pisarro, Paul Signac, Renoir e Manet em menor medida, e muitos exemplares de Gustave Caillebotte.

Foto: Laura Ammann
Edvard Munch e Emil Nolde, famosos pelo seu expressionismo, estão representados com pinturas anteriores a esse período. Embora seja possível em algumas pinturas perceber o traço característico de Munch, quem espera “O Grito” se surpreende com suas marinhas pastéis.

Foto: Laura Ammann
Já Emil Nolde figura no primeiro andar do museu de forma interessante: em um percurso comparativo, ele está em uma das paredes, enquanto do lado oposto está Max Liebermann, outro queridinho da Alemanha. Liebermann, tipicamente impressionista, pinta jardins e Biergartens; Nolde, águas cor-de-rosa e mulheres amarelas. Um inspira meticulosidade, outro, pinceladas à la Van Gogh. No primeiro está a busca pela luz; no segundo, as cores têm mais importância, já sugerindo os futuros desdobramentos do artista.

Foto: Laura Ammann
Além dos impressionistas, outros pontos focais da coleção estão nos modernos americanos e na arte da DDR. No entanto, a pequena sala dos contemporâneos, como Gerhard Richter, pode parecer um pouco deslocada em comparação ao restante do museu. De mesmo modo, um salão central com esculturas de Rodin (vindas do museu francês que leva seu nome) ocupa um espaço um tanto estranho dentro do percurso.

Foto: Laura Ammann
Para esse ano, o Barberini Museum, mantendo-se dentro do foco de sua coleção, promete trabalhar com coleções externas e fazer parcerias com – outros – grandes museus, bem como realizar (somente no primeiro semestre) as exposições “Atrás da máscara: Artistas da DDR”, “Max Beckmann. Mundo e Palco” e “De Hopper a Rothko”.
De forma coerente o Barberini Museum preenche uma lacuna na cena museal berlinense. Berlim, apesar de não ter fama de uma capital europeia de museus, tem um grande ponto a seu favor: suas coleções abrangem enorme variedade. De arte bizantina, medieval e renascentista às galerias contemporâneas, passando por museus de arqueologia e ciências naturais, Berlim oferece um pouco de tudo. Da antiguidade ao século 21, encontra-se algo nos museus da capital alemã. No entanto, em relação aos modernos, a oferta ainda é baixa, se comparada a outras cidades da Alemanha e outras capitais da Europa.
Quem tem interesse em coleções que incluem o impressionismo, expressionismo, Neue Sachlichkeit ou abstração moderna, são abastecidos com poucas opções: o Brücke Museum, a Alte Nationalgalerie, o Museum Berggruen e, eventualmente, a Berlinische Galerie. Por isso, o Barberini Museum oferece motivos para ser recebido da forma que foi. É uma notícia a ser celebrada ter um museu como esse tão perto de casa.
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