Dicas de Berlim por Laura Ammann
A catedral de Berlim, chamada de Berliner Dom (ou, carinhosamente, somente de Dom), fica na Ilha dos Museus – e é, possivelmente, a construção mais imponente dela. Aos pés do plano gramado do Lustgarten (jardim das delícias) e ao lado do Altes Museum, a Dom é com certeza um dos pontos mais turísticos de Berlim.

Foto: Laura Ammann
A história da Dom de Berlim pode começar a ser contada de 1237 em diante. Contudo, durante alguns séculos ela não lembrava em nada a construção atual. A ilha dos museus, hoje apenas um pedaço de um bairro em Berlim, já foi uma cidadezinha autônoma, chamada Cölln. No século 13, Cölln era uma cidade irmanada da antiga Berlim. Em 1451, o marquês e príncipe Frederico II de Brandemburgo chegou à Cölln, onde se instalaria e construiria uma paróquia, ricamente ornamentada, no local da atual Dom.
A paróquia, católica, sofreu uma conversão ao protestantismo luterano em 1538. Sob a administração de Joaquim II de Brandemburgo, a agora Igreja Luterana teve sua fachada renovada e modernizada de acordo com a nova estética ocidental da época. Ainda nesse momento, a construção não se parecia em nada com a atual Dom.

Foto: Laura Ammann
Em 1608, o príncipe João Segismundo interferiu no direcionamento religioso da igreja, transformando-a em uma igreja calvinista (outra vertente do protestantismo). Até 1665, ela era a única igreja calvinista de Berlim, enquanto as outras continuavam como igrejas luteranas. A Dom, como conhecemos hoje, começa a surgir depois de 1717, quando a antiga igreja foi demolida, sete anos após a união das cidades de Cölln e a antiga Berlim. Foi então, em 1750, que, no mesmo local em que tudo isso se passou, foi construída a Suprema Igreja Paroquial Calvinista.
A partir dessa data – e até 1940 – o exterior da igreja assemelhava-se muito à catedral atual. No entanto, uma figura carimbada da história de Berlim viria a reformar seu interior: o arquiteto Karl Friedrich Schinkel, sob o reinado do prussiano Frederico Guilherme III, deu seu costumeiro toque neoclássico à Dom. Também sob a administração do rei, as igrejas calvinistas e luteranas foram unidas sob o mesmo teto: a Igreja Evangélica da Prússia.

Foto: Laura Ammann
A atuação de Schinkel na ilha dos museus merece um pequeno parêntese. O arquiteto é responsável não só pelo interior da Dom, mas também pelo Lustgarten – jardim bastante querido e bem aproveitado pelos berlinenses –, pela construção do Altes Museum e pelo antigo Palácio Real da Cidade (Stadtschloß), completamente destruído durante a Segunda Guerra e nunca reerguido. Durante o conflito, a Dom também foi gravemente bombardeada, mas, ao contrário do palácio real, sua reconstrução começou em 1975.

Foto: Laura Ammann
Atualmente, a Dom é um dos destinos mais procurados de Berlim. Não somente a sua localização atrai os turistas como a possibilidade de visitar detalhadamente seu interior. Quem estiver disposto a subir muitos lances de escadas, das mais amplas às mais fininhas, de degraus maiores e menores, de madeira e às vezes em caracol, chegará – enfim – ao topo da catedral. De lá, à beira de uma espécie de terraço, a vista compensa o suado esforço.
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