Dicas de Berlim por Laura Ammann
A Galerie Bastian tem uma localização privilegiada em Berlim. Do lado da Ilha dos Museus, de frente para o Lustgarten (“jardim das luxúrias”) e nas imediações universitárias da Friedrichstraße, a Galerie Bastian fica em uma esquina outrora ocupada por outro prédio, bombardeado na Segunda Guerra. O prédio moderno da galeria dialoga em altura com os dois prédios vizinhos, além de ser um interessante contraste moderno ao ar histórico da região.

Foto: Laura Ammann
As enormes janelas, que parecem ainda maiores de dentro, recebem detalhes de uma madeira não-tratada, detalhes “aconchegantemente” orgânicos nesse desenho simples e branco. Os dois andares da galeria se colocam concomitantemente de forma impermeável e suscetível ao mundo externo, ao passo que o estilo “cubo branco” é combinado com os enormes vidros, que olham para a cena urbana local.

Foto: Laura Ammann
No último dia 4 foi aberta na Galerie Bastian uma exposição de obras do alemão Anselm Kiefer. Com poucas mas impactantes obras, concentradas em uma sala, a exposição irá até o dia 22 de abril. Enquanto o andar térreo da galeria apresenta outros artistas, as obras de Kiefer, inteligentemente colocadas no terceiro andar, funcionam como um convite à ascensão das escadas – se a disposição fosse a contrária talvez ninguém subiria, tendo já visto Kiefer, ao terceiro andar.

Foto: Laura Ammann

Foto: Laura Ammann
Anselm Kiefer é um dos mais importantes artistas alemães vivos. Nascido a 8 de março de 1945, exatamente dois meses antes do término da Segunda Guerra, Kiefer estudou com outros dois importantes artistas alemães, Joseph Beuys e Peter Dreher. Tendo morado, entre outros lugares, em Düsseldorf e em Portugal, Kiefer se ocupou de temas nacionais e políticos, trabalhando com pintura e escultura de modos não convencionais. O trabalho de Kiefer é frequentemente descrito pela sua tentativa em trabalhar com sua memória, nacional e pessoal.

Foto: Laura Ammann
Suas telas são carregadíssimas de tintas e outros materiais orgânicos e não orgânicos, surpreendendo também pelo tamanho. A grande quantidade de matéria, bem como sua agressividade e seu tom, conversam com os tempos contemporâneos, com o constante e insensível acaso que angustia vidas. Ao mesmo tempo, a sugestão figurativa por trás dessas grossas camadas de tinta afagam nosso olhar e dão sentido às nossas esperanças.
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