Se tem uma coisa que os italianos sabem fazer é aproveitar a vida. Tenho que reconhecer isto e reconhecer também que exatamente por isto eu os critiquei por algum tempo… Até aprender que no melhor estilo “o que leva dessa vida é a vida que se leva”, a cultura do “dolce far niente”, moderado obviamente, me conquistou. E vou contar por quê.
Não é questão de não trabalhar nunca mais, jogar tudo para o alto e viver de vinho e mozzarella.
E sim de entender que nosso corpo e, ouso dizer, mais ainda a nossa alma, têm um ritmo que precisa ser respeitado. Precisam ser agraciados para não dar “piti”. Se é para usar as frasezinhas prontas, diria que “se a cabeça não ajuda, o corpo padece”.
Sou advogada e venho crescendo profissionalmente em um ambiente competitivo de grandes escritórios de advocacia, sempre rodeada de gente muito preparada e competente. Isto sempre me fez querer ser melhor, crescer, não para passar a perna no próximo, mas sim para estar à altura dos que me cercam.
Nós, advogados, trabalhamos sempre com a pressão dos prazos e a regra número 1 da advocacia nos obriga a não perdê-los. Nunca. E com isto acabei me tornando uma pessoa do tipo afobadinha, que detesta acumular pilhas de trabalho em cima da mesa, e que corre para entregar tudo antes do prazo – o que sempre me rendeu belos elogios, e também duras críticas.
Até que fui parar na Itália, a maior parte do tempo como estudante, um pouco também como estagiária. Ou seja, responsabilidades bem menores do que aquelas que carregava no Brasil. E ainda com muito mais tempo livre.
No começo, confesso que criticava o jeito dos italianos de levar o dia-a-dia. As inúmeras pausas para um cafezinho, o comércio e até os bancos que fecham na hora do almoço (inclusive em Roma, na capital do país), a partida para casa em horários decentes, sem falar no famoso mês de agosto, auge do verão italiano, quando todos se mandam para praia e o país praticamente pára.
Porém aos poucos fui percebendo como um almoço um pouco mais longo em uma sexta feira, acompanhado de uma taça de vinho, não fazia mais eu me sentir uma pecadora. E sim me fazia um bem enorme.
Fui me entregando a uma bela macarronada, a um passeio mais distante, a uma viagem fora de hora. Se eu tinha tempo, por que não? E se a taça de vinho no almoço vier numa terça, ao invés de sexta?
Ora, basta ter consciência das suas responsabilidades e dos seus compromissos. Honrá-los sempre. E entender que se deve também honrar a sua saúde mental e física, principalmente naqueles dias em que você não está tão ocupado assim. Isto nos motiva, nos agrada e, o principal, nos faz mais saudáveis.
Precisei dar um tempo de tudo para aprender o que realmente aquece a minha alma. O que, fora do trabalho, faz meus olhinhos brilharem, me deixa feliz, satisfeita, me faz sentir viva. E tudo isto com certeza reflete no trabalho também.
Nunca ouvi tanto das pessoas perto de mim como eu estou bem. Mesmo com os quilinhos a mais que trouxe de souvenir. Se a Itália me deixou mesmo melhor, não foi pelos seus famosos designers. Foi pela dolce vita.
Conversando com uma amiga, desabafei meu medo de perder este brilho no olhar agora que meu período romano chegava ao fim. O que ela respondeu?
– Não se preocupe. Isto é seu agora.
E “isto”, tenha o nome que for, prometo me dedicar para nunca tirá-lo de mim, esteja onde estiver. É a maior bagagem que trouxe de Roma. E é o maior conselho que ouso deixar para você:
Deixe sua vida mais doce também.

😉

Gostei Ana! é bem por ai…eu trabalho como louca e sempre aparece uma viagem no meio de uma tempestade,antes eu me sentia culpada, mas eu ia assim mesmo…coloquei na minha cabeça que as coisas se encaminhavam sem mim perfeitamente, e que o mundo nao iria acabar por causa de alguns dias fora!
bjss
Amira
Exatamente! O mundo não acaba e você com certeza volta muito melhor… beijos
Oi Ana!
Quanto tempo não venho aqui… e você até já voltou para o nosso querido Brasil! =)
Confesso que do pouco tempo que passei na Espanha, também voltei com essa sensação! Que eles aproveitam muito mais a vida do que a gente, que corre demais 24 horas por dia e entra numa rotina absurdamente caótica! O nosso maior desafio é sim manter essa calma, o tempo do corpo e curtir mais a vida… antes que ela passe depressa demais e seja tarde…
bjss
Ana
É verdade, Ana!! Pode não levar o país pra frente, mas faz um bem enorme ao indivíduo… Hihihi!
Em janeiro volto pra Roma e trarei mais novidades… Aparece!
Beijos
Olá. Achei engraçada a referência que fez a respeito do país parado no mês de Agosto. Sou carioca e vivo em Lisboa há 10 anos e em Portugal acontece exatamente o msm. Mas é fácil compreender, afinal o verão aqui é curtíssimo e se não aproveitarmos, vamos sofrer de remorso o resto do ano. rsrs Eu tb sofri uma influência portuguesa muito grande, e acho que é normal, faz parte da adaptação. Mas se voltasse a viver no Brasil, mudava novamente. A força do meio envolvente é incontrolável! 😉
Boa sorte e espero que esse modo de ser, tão italiano, fique sempre contigo.
Joelma
Olá, Joelma!! Concordo com tudo que você disse. Passei 1 ano em Roma, mais 2 meses no Brasil, e acabo de voltar a Roma (ao que tudo indica por um curto período)… Mas me adaptei em todos os lugares e o mais bacana é perceber as nuâncias de cada um e tirar o melhor proveito!! Obrigada pela visita. Beijos
adorei seu post , virei sempre por aqui .Bjos