Decidi dividir uma das minhas melhores estórias em Roma. O meu primeiro encontro na Itália…
A primeira vez que saí com um italiano foi digna de comédia pastelão mesmo.
Fomos a pé até um bar perto da minha casa. Começamos a tomar uns mojitos e eu não abria a boca.
Primeiro, porque não dominava a língua – e nem domino ainda, mas agora estou mais desembaraçada. E segundo porque estava super envergonhada por estar saindo a primeira vez com um gringo aqui.
Então, tinha medo de falar algum absurdo, passar por ignorante, mandar um “nós vai”, dar um fora… Enfim… Queimar o filme dos extra-comunitários.
– Mas me conta você! – eu o encorajava.
– O que você quer saber?
– Ah, tudo. Trabalho, família, por que mora em Roma…
O coitado desembestou a falar tudo mesmo, contou toda a sua trajetória.
– Mas e você, o que você me conta? – disse ele.
– Vamos pedir mais um mojito?
Alguns mojitos depois eu já estava lecionando italiano, quem sabe até latim. Estava tirando sarro dele, brincando com o indiano que vende cachorrinho de pelúcia que dança ao som da Shania Twain, conversando sobre tudo.
Lá pelas tantas ele me perguntou se queria dar uma volta. Eu aceitei.
Quando realizei, a volta era de motoquinha.
– Mas você está bem para dirigir o motorino? – perguntei quando, na verdade, era eu que não me sentia muito bem para montar pela primeira vez numa motinho em Roma. Ainda mais com a calça jeans que eu estava que limitava meus movimentos.
– Claro e vamos aqui perto. Não se preocupe. E eu quero te mostrar um lugar.
Realmente fomos até um lugar lindo que tem uma vista maravilhosa de Roma. Depois de apreciar a noite de longe, reconhecendo as cúpulas, os monumentos, rindo das conversas dos outros, era chegada a hora de partir.
Lá fui de novo com a minha calça jeans mega justa subir no motorino. Além de eu ser muito distraída e um pouco descoordenada, acho que os mojitos estavam fazendo cada vez mais efeito porque desta vez não sentei na garupa direito. Mas, obviamente, não me dei conta disso.
Quando percebi, eu estava escorregando para frente e não conseguia ir para trás porque o apoio dos pés estava fechado e eu não tinha onde pisar para dar aquele impulso.
Fiquei tentando disfarçar, mas não teve jeito. Até cabeçada de capacete eu dei. E continuei escorregando cada vez mais. Obviamente que o meu date percebeu que eu estava caindo em cima dele.
Juro que nunca me senti tão idiota…
– Ana, te peço, por favor, vai um pouquinho mais para trás.
– Não consigo! Ai, to caindo! Me ajuda!
Paramos a moto, pezinho no chão, e lá fui eu para o lugar certo. Apoios de pés devidamente abertos, capacete devidamente fechado, e voltamos. Quando cheguei em casa, eu desci daquela scooter quase que correndo, morrendo de vergonha. Ele só ria.
Mas, por incrível que pareça, não levei um fora por causa disso. Muito pelo contrário: a estória rende até hoje boas risadas e ele é uma das pessoas mais queridas que tenho em Roma.
E já me salvou de muitas furadas com a sua motinho.
Trecho do lendário filme “Vacanze Romane” (“Roman Holiday”), 1953,
com Audrey Hepburn feito louca de motorino por Roma
Não é cavalo branco, mas é muito mais divertido!


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