Dicas de Berlim por Laura Ammann
Neste ano completam-se 3 anos que moro em Berlim. Neste pouco tempo desenvolvi certa familiaridade com a cidade, que se manifesta, não em coloridas declarações sobre como a cidade é a minha cara – porque não é –, mas no reconhecimento de pequenos detalhes cotidianos que, juntos, formam o que eu acredito ser a atmosfera (Stimmung) berlinense.

Foto: Laura Ammann
A voz que anuncia o atraso dos trens; a euforia dos primeiros dias de sol do ano; os inúmeros cuspes no chão das calçadas; mercados de pulgas; pessoas subindo as escadas de dois em dois degraus; boa música em qualquer buraco em que se entre; aulas; extrema permissibilidade em relação à entrada de animais em qualquer lugar; Philarmonie; garrafas e latas espalhadas pela cidade (o Pfand nosso de cada dia); galerias de arte; bêbados inofensivos que recitam coisas inteligíveis na madrugada; Kreuzberg de um lado, Potsdam de outro; museus; gente de biquíni no parque; joggers; cerveja e vinho, comida nunca; biblioteca.

Foto: Laura Ammann
Antes de morar na Europa, quando eu ouvia as pessoas dizerem que tal coisa aconteceu no “verão passado”, eu não entendia. Eu sempre me havia orientado pelos meses e diria simplesmente que algo me aconteceu “em julho”. Viver a passagem das estações tornou minha realidade (talvez mais as minhas memórias) mais concreta.

Foto: Laura Ammann
A Gemäldegalerie conhece meus segredos. Por mais de 60 vezes esse museu me abrigou. A coleção virou objeto de ciúmes; “não, não preciso de ajuda, muito obrigada, sei exatamente onde estou indo, sala IV” ou “sim, sim, já conheço o museu, muito obrigada, mas hoje só vim visitar os holandeses, quem sabe amanhã” ou “moço, o guardinha vai pedir daqui a pouco para você não ultrapassar essa linha”.

Foto: Laura Ammann
Coelhos. Não sei se são restritos a meu bairro (que aprecio muito mais do que a própria cidade), mas vejo muitos deles. Um pouco menos no inverno do que no verão, eles fazem parte da paisagem do Rudolph-Wilde-Park, do lado de onde moro. Certa vez, em uma curta corrida contei 19 deles. Há 3 anos os vejo semanalmente e isso não diminui meu entusiasmo toda vez que um aparece.

Foto: Laura Ammann

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Foto: Laura Ammann
Não beber é não vivenciar Berlim. A cultura de bares, não somente noturna, é uma das melhores coisas que a cidade tem a oferecer. O que une as Kneipes tipicamente berlinenses com bebidas baratas e sem cerimônia com os cocktail bars (leia mais aqui) que tratam o drink com seriedade científica é algo elementar: a cultura da bebida. Desde a cervejinha das 17:00 no metrô, passando pelo piquenique no parque, até o bar de whisky que fechará só às 7:00; estamos a falar da mesma coisa; de uma cultura homogênea.

Foto: Laura Ammann
A Universidade Humboldt é meu maior ponto de integração à cultura berlinense. E o veículo para tanto é algo caro ao meu cotidiano: a arte. Não se trata de simplesmente estar ligado à arte, ou de estudá-la na Alemanha, mas de pensá-la de modo alemão; de praticar a História da Arte Alemã.

Foto: Laura Ammann
A minha compreensão de Berlim é inevitavelmente vinculada aos aspectos enumerados nesse texto, que por sua vez são elementos fundamentais do meu dia-a-dia.
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Obrigada, Laura, por suas observações sobre a cidade. Gosto muito de Berlim (como turista) e aprecio a visão dos moradores “gringos”, sempre!