Dicas de Berlim por Laura Ammann
Em Berlim nem tudo é o que parece. O edifício que abriga hoje a coleção de arte conhecida como Sammlung Boros foi projetado e construído durante a Segunda Guerra para ser um bunker.

Foto: Laura Ammann
O Reichsbahnbunker Friedrichstraße, como originalmente era chamado o bunker em alemão, foi erguido no centro de Berlim em 1942 sob a supervisão do arquiteto nazista Albert Speer com capacidade para proteger cerca de 3 mil civis. No início de 1945, contudo, o prédio foi tomado pelo Exército Vermelho Soviético e transformado em uma prisão de guerra. Posteriormente, em 1949, um armazém de têxtis passou a funcionar no local que, dez anos depois, em 1959, deu lugar a um galpão de frutas cubanas, administrado pela empresa estatal “Fruit Vegetables Potatos” e apelidado de “Banana Bunker”.

Foto: Laura Ammann
Com a reunificação da Alemanha, o edifício se tornou propriedade do governo. Como muitas outras instituições ou locais que passaram a pertencer ao Estado após a queda do muro, o bunker se tornou um território de ninguém – e de todos – que possibilitava experiências musicais, artísticas e até sexuais. Na década de 1990 o bunker foi palco de diversos eventos como a feira erótica Sexperimenta, peças de teatro, festas de fim de ano e exposições de arte, além de ter abrigado a balada conhecida como “a mais pesada do mundo”. Seus quartos escuros, com paredes pintadas inteiramente de preto, são as únicas testemunhas do que se passava lá dentro. Hoje, ao visitante do bunker só resta imaginar, através dos resquícios de tinta, o que acontecia naquela época.

Foto: Laura Ammann
Em 2003, o publicitário Christian Boros comprou o edifício, onde hoje, após várias reformas, abriga e expõe a coleção de arte que mantém em conjunto com Karen Boros. No topo do bunker foi construída uma moderna penthouse, cercada de paredes de vidro, onde o casal mora. Outros pontos da reforma visaram possibilitar um percurso confortável de visitação, além de facilitar a entrada das obras, em sua maioria de grande porte. Os cinco andares de teto baixo deram lugar a mezaninos e espaços mais amplos e claros. Entretanto, muito da construção original é palpável para o público: as estruturas metálicas e espessuras das paredes são visíveis, assim como marcas de privadas no chão, ainda da época do bunker. Com o fim da reforma em 2007, a Sammlung Boros abriu para visitação em 2008.

Foto: Reprodução / Museumsportal Berlin
As visitas à coleção só ocorrem via agendamento prévio através do site da instituição e os próximos horários disponíveis podem estar a dois meses de distância. A espera, no entanto, é válida: durante a visita, que é sempre guiada, todo o percurso histórico da construção e sua arquitetura – cheia de artimanhas surpreendentes – são narradas (em alemão e inglês) ao público durante uma hora e meia. Um breve histórico das obras também é exposto durante o passeio.

Foto: Divulgação
A coleção exposta é trocada a cada quatro anos. A primeira exposição aconteceu entre 2008 e 2012, enquanto a segunda, em cartaz no momento, será substituída no ano que vem. Os artistas apresentados nessa segunda mostra incluem grandes nomes como Ai Weiwei, Olafur Eliasson, ambos residentes de Berlim, Roman Ondák e o alemão Wolfgang Tillmans – este, um artista bastante querido por aqui.
A Sammlung Boros é, portanto, um destino imperdível para os interessados em arte contemporânea – ou em diferentes camadas históricas sobrepostas em um só local.
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Mais uma atracão interessantíssima de Berlin que eu perdi. Definitivamente preciso voltar a essa cidade.
Nossa!! fiquei MTO interessada! Tbm perdi quando fui!! 🙁
Que lugar fantástico!!!
Com certeza estará nos meus planos também!!!