O drama do bebê do vizinho

Uma noite bem dormida faz toda a diferença no dia de uma pessoa. No humor de uma pessoa. No trabalho de uma pessoa. No relacionamento de uma pessoa. Ou seja, na vida de uma pessoa.

Dois andares abaixo do meu apartamento mora uma família com dois filhinhos. Apesar de algumas particularidades, como andar com um sino de boi no carrinho de bebê e deixar um saquinho com fraldas sujas no hall todos os dias, eu simpatizava com eles.

Porém, há algum tempo, o menininho mais velho, que não tem mais que 3 anos, resolveu endiabrar-se. Sim, é uma palavra um  pouco forte mas nada mais vem à minha cabeça.

Ele passa bem a noite. O problema é quando acorda, e criança acorda cedo, inclusive nos finais de semana, ele sai para fora do terraço da casa dele, que dá bem embaixo do meu quarto, e urra. Não fala, não grita. URRA. E chora.

O choro é total de manha, sempre tem um “mamãe” ou “papai” no meio e uns gritos assustadores tipo “ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh”…

Eu estou enloquecendo e não é brincadeira. Uma vez uma amiga veio me visitar e quando atendi o interfone ele estava por ali gritando e o seu urro veio mega-potencializado no meu ouvido. Minha Nossa Senhora! Estou até agora me recuperando do susto e fazendo tratamento de tímpano.

Outro dia ele ficou uns 20 minutos sem parar e sem tomar fôlego. Eu cheguei a abrir a janela, e quando estava tomando coragem para dar um grito mais alto do que o dele, ele entrou correndo para casa.

Afinal, eu sei que, no grito, eu o venço!

Já pensei também em bater na porta deles, explicar que ignorar um filho possuído assim pode até ser tática de educação, mas não funciona bem com os vizinhos.

Já pensei até em procurar o outro vizinho e unir forças, porque com certeza ele também está sofrendo com esse terror romaninho.

Já pensei obviamente em mandar uma notificação – afinal a advocacia não é uma profissão, é um lifestyle -, gritar “cala a boca!” e jogar ovo, e até mesmo arrumar um padre exorcista – o que certeza não deve faltar em Roma… Mas até agora o máximo que tenho feito é praticamente chorar eu de desgosto. E ainda em silêncio.

E viva o mau humor!

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4 thoughts on “O drama do bebê do vizinho

  1. Marieta says:

    Hahaha; que perrengue! Sempre uma pausa entre um cálculo e um projeto para ler o diário de bordo… Adoro as suas crônicas; “terror romaninho!” Eu e meu namorado estamos dando risadas… Bjs! =)

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