A fascinante Etiópia

Tendências em viagens por Rogéria Pinheiro

Fascinante. É a primeira palavra que me ocorre quando penso em Etiópia. Como sei que muitos vão se lembrar da palavra fome, meu primeiro apelo é que tentem apagar de suas memórias essa triste lembrança. A Grande Fome, que assolou o país nos anos 80, hoje não é mais uma realidade.

Apesar de muito pobre, a Etiópia cresce em ritmo intenso e o turismo será o vetor da transformação do país. Recentemente passou a figurar na “wish list” dos viajantes brasileiros mais experientes. Isso porque, desde julho, a Etiopian Airways opera voos partindo de São Paulo e Rio a Adis Abeba, capital do país, 3 vezes por semana (com escala em Lomé, no Togo).

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Etiópia
Foto: Reprodução

Religiosidade, tribos virgens, arqueologia, castelos medievais, paisagens deslumbrantes, danças contagiantes e um povo alegre e lindo: este é o momento ideal para quem faz questão de explorar destinos quase intocados. Único pais africano que nunca foi colonizado e tem sua cultura, língua e identidade quase sem nenhuma influência ocidental, a Etiópia oferece experiências inusitadas de norte a sul.

A religiosidade está bem presente ao norte, ao passo que cristãos ortodoxos cultuam o cristianismo em sua linhagem mais pura. Para mergulhar nesse tema, é preciso visitar Axum (pronuncia-se Aksum), a cidade da Rainha de Sabá. Dizem que a Arca da Aliança, que guardava as tábuas dos mandamentos ditados por Deus a Moisés, estaria no complexo da Igreja de Santa Maria de Sião – vigiada 24 horas por um sacerdote solitário.

Os axumitas surgiram 500 anos antes de Cristo e, entre os séculos I e VIII, a cidade foi a capital de um império comercial marítimo muito poderoso e um dos maiores Estados do mundo antigo.

Já em Lalibela, também ao norte do país, há o mais importante centro de peregrinação para os cristãos ortodoxos. As 11 igrejas esculpidas em mármore rosa no século XIII impressionam e encantam, pela riqueza de detalhes e preservação. A árida cidade está a 2.700 metros acima do nível do mar, toda rodeada por montanhas.

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Lalibela
Foto: Reprodução

Ao sul do país, no Vale do Omo, cerca de 200 mil pessoas de diversas linhagens de tribos vivem mantendo-se intocadas em sua cultura e costumes. Um dos mais importantes fotógrafos brasileiros, Sebastião Salgado, em expedição ao país, registrou imagens belíssimas desses povos, bem como o alemão Hans Silvester, que também se aventurou por uma das regiões mais inóspitas do mundo para nos despertar ainda mais a curiosidade.

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Tribos de Vale do Omo
Fotos: Reprodução

Mursi, Hammer, Dursi são apenas algumas das tantas tribos da região. Danças exóticas, roupas feitas com peles de animais e adornos de sementes são tradições da cultura dos povos de Omo, que são capazes de encantar e fazer refletir os ainda poucos visitantes que por lá se aventuram.

Está crescendo o interesse pela Etiópia, ainda que o país ofereça, por enquanto, uma infraestrutura turística bem básica e sem luxos para receber o viajante. A melhor época para viajar é de novembro a março, quando as temperaturas estão mais amenas e o clima mais seco.

*Formada em turismo, Rogéria Pinheiro é apaixonada por viagens e pela arte de fazer sonhos. Ao longo de 15 anos construiu uma sólida carreira no mercado de viagens de alto padrão e visitou destinos incríveis. Hoje atua com a sua consultoria especializada junto às mais sofisticadas agências e operadoras de viagens do Brasil. No Magari blu, apresenta aos leitores as tendências em viagens e o que está na moda pelo mundo do turismo.

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