Só existe uma outra coisa que se vê tanto em Roma quanto restaurantes. Igrejas. Lindíssimas.
Pois então. Estava eu no meu primeiro mês romano toda fofa frequentando a missa, quando de repente, não mais que de repente, um ataque de tosse me toma o corpo.
Daqueles que começam com uma tossidinha discreta, que emenda em outra, em outra, até que você quer dizer “por favor, Deus, dai-me um copo d’água para eu sobreviver até o fim dessa missa!”.
Vivendo essa agonia, focada em arrumar um ângulo da cabeça que me fizesse menos cócegas na garganta, me deparei com uma procissão de coroinhas, soltando fumaça de incenso para todos os lados da igreja, inclusive no meu rostinho, contorcido para não engasgar.
“Preghiamo.”
Ou seja, o nosso conhecido momento da missa do “Oremos”.
O padre vindo da mini procissão subiu uma escadinha de madeira e começou a reza de um balcão no meio da igreja.
Cof cof. Cof cof cof cof.
A situação já estava horrível neste ponto. A cada tossida um eco enorme se propagava e mais fumaça de incenso me engasgava.
Para aumentar o meu despespero, a senhora que estava sentada à minha frente, baixinha, gordinha, vestida de preto, quase como uma viúva italiana de filme, se vira e diz: “BASTA!”.
Naquele momento eu revisitei as minhas aulas de italiano para pesquisar em minha memória se haveria alguma outra palavra que pudesse soar parecido com basta, porque, sinceramente, como uma pessoa poderia ser tão cruel e dar uma bronca em uma mocinha como eu, toda fofa na missa, resfriada ainda por cima.
Mas de fato… o primeiro “Basta!” veio seguido de outro e de um olhar horripilante.
– Desculpe-me, mas estou doente, senhora. – Eu disse.
– Ele está rezando.
– Sim, mas eu estou doente.
– Não é verdade. E basta!
Procurei por companheiros de banco, alguém ali que pudesse me apoiar nesse difícil momento, mostrar solidariedade, xingar a senhora de algum nome italiano que eu ainda não tivesse aprendido. Nada. Ninguém.
E eu fiquei ali segurando a respiração, rezando mais forte do que nunca, para não apanhar da senhora na frente do padre.
Terminada a reza, o padre desceu do balcão e a senhora mudou de lugar, pisando duro e me olhando feio.
Eu continuei tossindo. E o padre também. O que para mim foi um alívio porque tive a certeza de que tossir na missa não é pecado na Itália.
Amém.


Aninha, você leva jeito pra coisa! Parabéns, beijão
Thuuu
essa historia é mto boa.Voce escreve mto bem.Ameiii
hahahaha aninha! q historia engraçada e vc leva mto jeito pra escrever, eu me vi la na igreja vendo a cena!! bjs, veva
Adorei que vocês passaram por aqui e que gostaram! Voltem sempre!!! Beijos
kkk, ela tava de mau-humor!!!!
Vaffanculo seria a palavra apropriada p velhinha..hehehe
Não teria sido mais fácil simplesmente sair da igreja por alguns minutos?
Pode ser, Anderson! Mas no momento a gente sempre acha que já vai passar, né? 😉