Sfigato(a). Palavra usada vulgarmente para dizer desafortunado(a). Ou seja: azarado(a), zoado(a), coitadeza.
Pois bem. Ontem entendi bem o que significa ser uma pessoa sfigata. E divido com vocês o significado com um exemplo bem ilustrativo.
Estava em Londres pronta para voltar para Roma e uma amiga sugeriu que, para ir até o aeroporto, seria mais fácil pegar o metrô que saía do lado do nosso hotel e ia direto até Heathrow. De fato, parecia ser a melhor solução.
Assim fiz e peguei o trem que parecia ser acima de qualquer suspeita, afinal ele se chamava “Heathrow terminals 1,2,3 and 5”.
Contudo, no meio do caminho, sem aviso prévio, o trem parou e avisaram que aquela seria a última parada e não iria mais para o aeroporto. Todos ali com suas malinhas se entreolharam e o ar de desespero tomou conta geral.
Nada do maquinista mudar de idéia. Era aquilo mesmo: última parada. Eu pensava que este tipo de coisa não acontecesse em Londres!
O horário estava apertadíssimo, então ir atrás de outro trem logo foi opção eliminada. Saí da estação, sozinha, perdida pelo subúrbio de Londres, à caça de um táxi.
Arrastei minha mala de mão pelas ruas até conseguir um táxi. Dividi com o motorista indiano toda a minha aflição. Ele até subiu na calçada, xingou meio mundo, mas… Em vão…
“Desculpe, senhorita, mas o vôo já partiu.”
Ok. Perdi o vôo. Pela primeira vez na vida. Mas e daí? Todo mundo já perdeu avião. “Não vou me estressar”, pensei.
Fui até o balcão da companhia aérea inglesa e pedi para verificarem os próximos vôos disponíveis, inclusive de outras companhias. Haviam algumas opções. Porém todas custando uma fortuna!
Fiz as contas na minha cabeça, ir para um hotel e partir no dia seguinte poderia me proporcionar um vôo mais em conta, mas do que adiantaria com o preço do hotel e o desgaste de ir e voltar pro aeroporto? “Ok, pego o próximo vôo”, decidi.
Mudei de terminal com um ônibus – para que fazer um aeroporto tão gigante? – e neste segundo meu pai me telefonou. Todo aquele stress que estava contido em mim transbordou quando ouvi a voz do papai no telefone. Comecei a chorar igual a uma menininha.
Ele obviamente me acalmou e desligamos o telefone. Fui até o balcão da outra companhia aérea para pagar e emitir o bilhete.
– Mas como reservaram agora para você sem nos consultar? O vôo está cheio. Aliás, você também tem uma reserva para Milão, correto?
– O QUÊ?
– Ah não, desculpe, me enganei. Somente para Roma.
– Senhor, o senhor não calcula o stress que foi para eu chegar aqui. Eu PRECISO embarcar neste vôo.
– Calma, senhorita, achei um lugar para você. Seu cartão de crédito, por favor.
Ai… Como doeu passar o cartão naquela bancadinha.
Pois bem, estou eu tentando superar a dor da avareza, quando a mocinha atendente que faz o check in olha meu recibo e comprovante e diz:
– Mas você comprou esse ticket agora?
– Sim.
– Só de ida?
– Sim.
– Só para Roma?
– Sim.
– Veio passar o final de semana só?
– Sim.
– E pagou tudo isso???
– Sim.
– É. Espero que tenha valido a pena.
– He he he – risadinha amarela pensando por que você não vai pra…!!!!!!
Comi um cheeseburguer, me acalmei, e quando estava embarcando recebi a notícia de que havia ganhado um upgrade e viajaria de executiva.
Aí tirei a barriga da miséria. Nem estava com fome mas comi salmão, mousse de pistache, tomei vinho e tudo mais que tinha direito.
Pousamos em Roma. Parecia que estava tudo já em ordem, quando de repente, não mais de que repente, eu levo um tombo daqueles descendo do ônibus que leva do avião ao lobby do aeroporto.
Aiiiiiiiiiiiiii!
Torci o pé. Ainda está doendo. E enquanto vos escrevo estou com o pé para cima com gelo.
Entenderam agora o que significa sfigata?

Mais sfigata que eu, porque atrás de mim pelo menos não tem paparazzi…
Foto: Reprodução

Capiche!hahahahaha…Que dureza…todo mundo tem, teve ou terá seu(s) dia(s) de sfigata!Beijo!!
meu Deus…eu sofri aqui..hahah..mas quem nao teve um dia desses nao ?
Amira
Meninas, acho que todo mundo já teve seu dia de coitadeza!! Mas ainda bem que é só de vez em quando, né?? Beijos