Tendências em viagens por Rogéria Pinheiro
Re-uso tem sido a palavra da vez, principalmente quando o tema é viagem! É comum encontrar propriedades hoteleiras que valorizam o re-uso, rompendo cada vez mais com a padronização, incentivadas pelos novos interesses de jovens viajantes que buscam mais autenticidade e vivências genuínas.
A Kimpton Hotels é um exemplo disso. A rede vem se expandindo, reciclando prédios históricos. O reaproveitamento, além de gerar um novo significado no contexto urbano local, ajuda a manter o que cada cidade tem de mais especial: sua história.
O prédio dos Correios de Washington DC, um dos primeiros edifícios federais nos Estados Unidos, foi construído em 1839 por Robert Mills, o mesmo arquiteto que projetou o Monumento de Washington. Hoje, abriga o Monaco Washington DC, um hotel da rede Kimpton.

Foto: Divulgação
No hotel Argonaut, em São Francisco, o re-uso também foi a aposta da Kimpton. Localizado no histórico armazém Haslett Warehouse de 1907, faz parte do complexo Cannery e de Fisherman’s Wharf. O prédio, que também serviu como uma fábrica de enlatar frutas e vegetais, teve suas paredes de tijolos mantidas, dialogando com uma decoração contemporânea.

Foto: Divulgação
O re-uso não parte só de empresas e pode ajudar a reinventar cidades inteiras. Berlim é um exemplo disso, pois se transformou radicalmente entre o antigo e o renovado, a começar pelos sorrisos, o estilo de vida e as cores hoje retratadas, inclusive no Muro de Berlim.

Foto: Reprodução/Teresa Perez Tours
A arquitetura e cena cultural faz de Berlim uma das cidades mais contemporâneas e cosmopolistas da Europa.
Suntuosa, Unter den Linden era a avenida mais importante da cidade e era ali onde tudo se concentrava. Hoje bairros e mais bairros vão sendo redescobertos, como o judaico pertinho da Oranienburger Strasse e de Hackesen Höfe. Mais de 12.000 judeus vivem em Berlim e fazem parte do vibrante cotidiano da cidade. Por meio do re-uso, em 2001, receberam de volta o Museu Judaico de Berlim, completamente redesenhado por Daniel Libeskind.
O Museu Judaico de Berlim é um desses exemplos de como a arquitetura e o conceito do re-uso podem contribuir no contexto histórico-cultural de uma cidade. Em um território antes devastado, onde o vazio era ocupado por memórias e história, a fachada toda metálica propositadamente remete a uma fortaleza e tudo nele foi pensado para “transportar” o visitante a uma vivência intensa. O piso é levemente inclinado e as paredes forma angulos diferentes. Tudo isso causa uma sensação de desorientação e dificuldade de caminhar.

Foto: Reprodução/Panoramio
São três eixos: o Eixo do Holocausto, o Eixo do Exílio e o Eixo da Continuidade e cada um nos impacta de uma maneira diferente. Estreitas aberturas ao longo do caminho produzem flashes da luz do dia, criando um clima de sobriedade. Ao fundo do Eixo do Holocausto surge uma grande e pesada porta metálica, que dá acesso à torre do holocausto. Suas enormes paredes e uma única abertura no teto também causam um misto de sensações.
O Eixo do Exílio é formado por um corredor menor e com outra pesada porta para transpor e acessar o jardim de concreto. O Eixo da Continuidade, por sua vez, é o maior dos três, uma escadaria corredores com instalações que levam ao outro lado do museu e ao final da experiência que, sem dúvida, traduz de diversas formas essa vivência única.
A arte clássica também merece destaque, já que a Berlim oferece três Óperas, um teatro superdinâmico e mais de uma centena de museus, que estão lá, prontos para encantar aos mais diferentes estilos de apreciadores.
Todo esse panorama baseado no conceito do re-uso, sempre explorando edifícios antigos e deixando que estes ajudem a contar e preservar a história da cidade. Essa é uma das tendências superatuais em viagens.


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