Fazendo as malas para embarcar à minha primeira viagem ao Pantanal só pensava nas onças. Queria tanto ver ao menos uma! Os “big cats” sempre me fascinaram e, nas viagens de safári na África, são os maiores focos: leões, guepardos e, claro, leopardos, os meus preferidos. Na Ásia, fiz safári para ver tigre no Nepal, mas ainda guardo esta frustração, pois não consegui avistá-lo! Por isso, não queria deixar de ver uma onça pintada – uma ao menos – logo aqui no Brasil.

Foto: Ana Maria Junqueira
O Refúgio Ecológico Caiman está localizado próximo a Miranda/MS, na região do Pantanal do Sul. Em uma área de 53.000 hectares, destinada principalmente à criação de gado, o ecoturismo vem sendo explorado há cerca de 30 anos já.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
Pioneiro na atividade no Pantanal, tem 2 pousadas situadas em localizações diferentes, com operação própria, piscina e restaurante.

Foto: Ana Maria Junqueira
A Pousada Cordilheira tem suítes mais espaçosas, com antessala e 2 banheiros, e acomodam até 3 pessoas por quarto.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
E a Pousada Baiazinha, por sua vez, está numa área linda de vazante, que, dependendo da época, fica cheia de água. Ambas de muito bom gosto e aconchegantes.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
O projeto vem para nos mostrar que a vida selvagem pode, sim, conviver em harmonia com a criação de gado de corte e o domínio do homem.

Foto: Ana Maria Junqueira
Palco de alguns diferentes projetos de conservação, os resultados obtidos ao longo dos anos são mais que satisfatórios e têm um papel importante de manter espécies ameaçadas e, mais relevante ainda, de educar as pessoas a respeito, mudando a mentalidade de quem, por tradição, não vislumbrava a coexistência destes dois mundos.

Foto: Ana Maria Junqueira
O bacana de se hospedar aqui é fazer safáris para avistar as variadas espécies de aves, mamíferos e répteis que são nativas do Pantanal e que vivem, se reproduzem e se alimentam com mínima interferência humana.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
Diferentemente dos safáris na África, a quantidade de grandes animais não é a mesma, claro. Aqui não temos leões, rinocerontes, elefantes e nem hipopótamos… Mas quem vem ao Pantanal sabe muito bem disso.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
As espécies pantaneiras são bem diversas das africanas mas a paisagem natural me lembrou bastante as planícies alagadas do Delta do rio Okavango em Botswana.

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
Se, por um lado, talvez perdemos ao continente africano pela quantidade de grandes e assustadores animais, por outro, ganhamos em cultura e autenticidade, sem falar nas nossas espécies que são lindas de se contemplar. O Refúgio Ecológico Caiman enaltece a cultura local pantaneira, praticamente intocada pelas modernidades da cidade grande e presente no dia a dia dos peões.

Foto: Ana Maria Junqueira
Os hóspedes têm este contato direto, por meio de atividades como o café da manhã carreteiro, ou “quebra-torto”, como é chamado pelos pantaneiros. Logo cedo, arroz carreteiro e ovo frito fazem parte da refeição com a sustança esperada para encarar o longo dia na lida com o gado.

Foto: Ana Maria Junqueira
Além de provarmos (e aprovarmos) a comida, os peões contam seus causos e compartilham na roda seu tereré, infusão de erva-mate e água gelada típica daqui.

Foto: Ana Maria Junqueira
É uma oportunidade muito rica para quem vem de longe conhecer mais sobre esta importante região do país, que tem raízes fortes e marcantes, e ver e ouvir sobre o mundo apaixonante das fazendas de gado.

Foto: Ana Maria Junqueira
Além disso, nos passeios, os hóspedes estão sempre acompanhados de 2 guias: um biólogo bilíngue e um Caimaner, o guia de campo e pantaneiro. Esta combinação é de sucesso certo, pois, enquanto o guia biólogo não deixa escapar nenhum nome das espécies avistadas e tira as mais diversas dúvidas sobre os animais e as plantas, o Caimaner é o representante do incessante contato com a cultura local, proporcionando uma troca rica de experiências e vivências.

Foto: Ana Maria Junqueira
Tivemos a sorte de sermos acompanhados pelo Guilherme, chefe dos guias, e pelo Guaraná, o pantaneiro mais simpático da fazenda.

Foto: Ana Maria Junqueira
Entre os projetos que são desenvolvidos na área da Caiman, destaco o Projeto Arara Azul e o Onçafari. As araras azuis foram riscadas da lista de animais em extinção a partir do sério desenvolvimento de conservação feito na Caiman.

Foto: Ana Maria Junqueira
É possível agendar um passeio para saber mais sobre o Projeto Arara Azul, visitar ninhos e aprender sobre uma das espécies de aves mais fascinantes que temos no Brasil. E ainda quem não participa deste passeio consegue avistar diversas araras azuis pela Caiman, voando livremente pelos céus pantaneiros.

Foto: Ana Maria Junqueira
O Onçafari, também pioneiro no Brasil, visa observar, estudar e conservar as onças pintadas, com a ajuda essencial do ecoturismo. É possível avistar onças em passeios regulares do Caiman, mas o Onçafari sai com este único intuito: achar as onças.

Foto: Divulgação/Boris Kuhar
Os guias especializados fazem um acompanhamento diário do que é o 3º maior felino do mundo, por meio de câmeras e sinais de satélite. Com isso, têm a possibilidade de acompanhar seus hábitos, o que, de novo, jamais havia sido feito no Brasil, e, claro, têm uma ajudinha extra para rastreá-las e facilitar a sua visualização pelos viajantes.

Foto: Divulgação/Leonardo Sartorello

Foto: Divulgação/Carlos Eduardo Fragoso
Durante a minha hospedagem, receberam um aviso de avistamento de onça e lá fomos nós no carro do Onçafari na tentativa de vê-la de pertinho. Cada onça monitorada pelo projeto é batizada com um nome diferente e a nossa busca era pela Isa.

Foto: Ana Maria Junqueira
Chegamos na região próxima a onde ela estava, mas provavelmente a onça ficou por um bom tempo ainda descansando, escondida. Choveu, escureceu, e nada de ela aparecer. Demorou um pouco e eu estava tentando manter as esperanças pois não queria que se repetisse a frustração que tive ao não conseguir ver o tigre no Nepal.

Foto: Ana Maria Junqueira
Eis que a Isa surge, elagantemente caminhando com suas pintinhas para fora da mata. Olhou bem para o carro, pareceu até que hesitara um pouquinho e pensara em voltar para trás, mas seguiu seu rumo. O nosso veículo foi acompanhando-a por um bom tempo, paralelo à onça. Ora ela desaparecia no meio do mato, ora ressurgia sempre em frente.

Foto: Ana Maria Junqueira
Estava escuro e os registros não ficaram bons, mas dá para ter uma ideia de quão lindo é este animal, o topo da cadeia alimentar do Pantanal. Foi uma grande emoção ver uma onça de perto. Depois de muito caminhar, a Isa decidiu cruzar a estrada à nossa frente e entrou numa mata, desaparecendo. Todos com um sorriso de orelha a orelha no rosto.
Confira aqui o vídeo da busca da onça pintada:
Retornamos à pousada, descemos do carro, já estávamos agradecendo aos nossos guias do Onçafari pela experiência incrível, quando eles receberam uma outra comunicação via rádio. Sim, outra onça estava dando as caras próximo a um açude, pertinho da pousada.
Subimos no carro com bastante pressa e tocamos até lá. Não consegui tirar nenhuma foto, tamanha a comoção ao identificar que não era uma onça e, sim, duas! A Nusa com sua filhote, que já não é tão pequena, estavam bebendo água. Fitaram-nos bem nos olhos, terminaram de se refrescar, e, também, sumiram mata adentro.

Foto: Ana Maria Junqueira
Eu, que queria tanto avistar uma oncinha, mal acreditava nos meus olhos – foram 3!

Foto: Ana Maria Junqueira

Foto: Ana Maria Junqueira
Dá para fazer, ainda, trilhas a pé e passeio de canoa. Na água, não espere a emoção da busca às onças, mas confesso que dá um certo receio embarcar no meio de tantos jacarés! Mas, ao começar a deslizar pela água, eles desapareceram, nos emprestando seu território para curtir o silêncio e a beleza do local. Uma tranquilidade que não cansa…

Foto: Ana Maria Junqueira
A fórmula de sucesso deste empreendimento tem muito a ver com paixão. A família proprietária do Refúgio Ecológico Caiman teve bastante coragem ao explorar o ecoturismo no Pantanal antes de todos e ao se dedicar à conservação de espécies como a onça pintada, tida como uma grande inimiga dos fazendeiros.

Foto: Ana Maria Junqueira
Raphael, filho do proprietário, é o gerente das pousadas e deixou a vida em São Paulo para cuidar de perto da parte de hotelaria, depois de um intercâmbio no renomado lodge Landolozi na África do Sul. A sua dedicação se reflete nos pequenos detalhes que surpreendem e encantam durante a estadia no Refúgio Ecológico Caiman, como os lindos jantares que ele coordena. Não tem como não se encantar.

Foto: Ana Maria Junqueira
Como chegar?
A partir de Campo Grande, são cerca de 3h30 de carro até o Refúgio Ecológico Caiman. Dá para organizar um transfer com motorista ou dirigir um carro alugado. Existe também uma pista de pouso que recebe aviões particulares e fretados.

Foto: Ana Maria Junqueira
Quanto tempo ficar?
De 3 a 4 noites é o mínimo. O máximo? Depende de quanto você se apaixonar, como eu, pelo Pantanal!
Uma boa dica ainda, se tiver mais tempo, é combinar o destino com Bonito.

Foto: Vinicius Basso

Foto: Ana Maria Junqueira
*Quando ir?
O ano todo, com exceção do alto verão, que é a época de cheia e muito calor. A alta estação vai de junho a setembro.
Fui no final de maio e peguei um pouco de chuva fora de época. Mas deu para aproveitar mesmo assim.

Foto: Ana Maria Junqueira
Testado e superaprovado por Magari Blu!
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Texto delicioso! As fotos são lindas, dando-nos a sensação de proximidade e familiaridade.
Parabéns Ana Maria e parabéns Brasil!!!