Uma exposição fragmentada: Neue Nachbarn nos museus de Berlim

Dicas de Berlim por Laura Amman

Há cerca de um mês uma iniciativa interessante – e logisticamente inteligente – se concretizou em uma exposição em Berlim. Até 24 de setembro desse ano, a exposição “Neue Nachbarn. Auf dem Weg zum Humboldt Forum” acontece em vários museus da cidade e dialoga com os seus variados acervos.

Vishnu na rotunda do Altes Museum
Foto: Divulgação

Dois museus, antes pertencentes ao bairro de Dahlem, em Berlim, tiveram seus prédios desativados em janeiro último: o museu etnológico (Ethnologisches Museum) e o museu de arte asiática (Museum für Asiatische Kunst). Seus acervos serão transferidos ao recém inaugurado Humboldt Forum, espaço focado na convivência entre diferentes culturas e nações, localizado no coração museológico da cidade: a Ilha dos Museus. Enquanto, porém, o local de destino das obras não pode recebê-las, 20 delas foram partilhadas entre outros museus.

O “espírito do rio” Wuzhiqi encontra o Demônio de Thomas Theodor Heine na Alte Nationalgalerie
Foto: Divulgação

Na própria Ilha dos Museus (nos museus Altes e Neues, na Alte Nationalgalerie e no Bode Museum), assim como no Kunstgewerbemuseum (museu de artes e ofícios), será possível até meados de setembro ver peças derivadas dos antigos museus de Dahlem. A exposição, apesar de fragmentada, é amarrada pelo título “Novos Vizinhos. No caminho ao Humboldt Forum”.

O “espírito do rio” Wuzhiqi na Alte Nationalgalerie
Foto: Divulgação

O resultado é um diálogo entre acervos relativamente tradicionais, com um enfoque principalmente europeu, e obras asiáticas, africanas e astecas. Esse inusitado encontro pode ser uma oportunidade única de ver essas obras juntas. A exposição no Kunstgewerbemuseum ganha um maior destaque: o número de obras transferidas para seu espaço é maior do que nos outros museus, e a exposição nesse caso é mais longa: até abril de 2019.

Figura feminina, oriunda do Império de Benim, no Bode-Museum
Foto: Divulgação

A iniciativa é interessante por levar o público aos mais importantes museus de Berlim com um novo olhar, dialogando mais imediatamente com quem mora na cidade. Aos turistas, no entanto, o diálogo entre acervos é compreensível. De quebra, a ideia é um ótimo recurso de “armazenamento” de obras enquanto elas não chegam ao seu destino final.

Biombo japonês em diálogo com Caspar David Friedrich na Alte Nationalgalerie
Foto: Divulgação

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Formada em Produção Editorial e especialista em Museologia e Curadoria, Laura Ammann é co-fundadora do projeto Arte Conceituando, que publica entrevistas sobre arte, e é mestranda em História da Arte pela Universidade Humboldt. Laura é de São Paulo, mora em Berlim e traz as suas dicas no Magari Blu.

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