Estive recentemente em Buenos Aires, depois de alguns anos sem visitar a cidade.
Buenos Aires me encantava pela sua arquitetura à la Europa, pelas avenidas largas com fiação enterrada, pelos monumentos belos e conservados e, claro, pelos preços mais em conta para as compras.
Quem nunca ouviu falar do couro argentino, das jaquetinhas macias e baratas, que todos traziam das terras porteñas?
Buenos Aires exalava também um ar quase que folclórico, com as apresentações de tango, inclusive pelas ruas, e as casas coloridas de La Boca.
Pois bem. Lá fui eu passar um final de semana em Buenos, munida de memórias das visitas passadas à cidade.
A Buenos Aires que encontrei, no entanto, não me encantou dessa vez. Poderia dizer que é tudo culpa da Cristina Kirchner, mas aí a crônica teria um tom muito político, e eu passo longe de política nos meus escritos.
Mas a verdade é que o país está mergulhado numa crise financeira voraz, e, como não poderia deixar de ser, o cenário econômico reflete em toda a Buenos Aires.
A cidade não está mais bem cuidada, com exceção de Porto Madero, que permanece com ares de revitalização e segurança.
Não está mais barata, como outrora, com os preços equiparando-se aos salgados preços de São Paulo.
E não está mais segura, com inúmeras histórias de assaltos na zona da Recoleta e de taxistas que se aproveitam de turistas. Bom, não só os taxistas…
Senti-me insegura, e, habitante de São Paulo, não preciso viajar para sentir-me assim…
Decepcionada com a cidade, terminei por visitar o Zoológico de Lujan, a cerca de 40 minutos de carro de Buenos Aires.
O Zoológico de Lujan é algo extraordinário. Não tem a bela arquitetura do Zoológico de Buenos Aires, com jaulas bem feitas e caminhos charmosos.
Parece mais uma fazenda, com jaulas improvisadas, e pouco investimento em infraestrutura.
Mas por que então é extraordinário?
O Zoológico permite que os visitantes entrem nas jaulas dos animais. Isso mesmo, entrem dentro das jaulas!
É uma loucura. Filas para entrar dentro da gaiola do leão, dos tigres, do elefante!
Já que fui até lá, tive que tomar coragem e ingressei na “casa” do rei da selva.Eram dois leões, pai e filho, de 7 e 14 anos. Enormes!
Os animais são extremamente calmos. Levantam, andam, sentam, deitam, mas não demonstram nenhum traço selvagem, agressivo, digno das feras que são.
Mesmo assim morri de medo, mas tomei coragem e passei a mão pelos pêlos dos leões e dei até mamadeira de leite para um deles!
Foi surreal.

Foto: magari blu
Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida e não sei se algum dia terei a oportunidade de estar tão perto de um animal selvagem e perigoso assim.
Mas é inevitável pensar que os bichos devem, além de ser muito bem alimentados, receber algum tipo de medicação que os deixam quase que domesticados. E reconheço que, apesar de ter aproveitado e delirado com o passeio, é uma grande irresponsabilidade com os animais e com as pessoas que a eles se expõem.
Há, inclusive, rumores que o Zoológico de Lujan será fechado, alvo de inúmeros ataques dos defensores dos animais.
De volta ao Brasil, a impressão é que a experiência em Lujan manteve a magia que sentia pela Argentina, mas também reflete a crise vivenciada pelas pessoas e até pelos animais no país hermano. Uma pena.

Eu adoro Buenos Aires, tem as coisas bacanas, mas o que mais me impressiona e deprime, e o que demonstra como São Paulo e o Brasil em geral está na frente, é a linha de carros que anda pela rua. Tudo muito antigo e relaxado. Parece que as coisas não se inovam por ali.
É verdade. Mas infelizmente acho que não é desleixo…é falta de verba mesmo! Bjs