Carnaval?

Esses dias fui convidada a ir a uma festa de carnaval aqui em Roma. As instruções foram para ir fantasiada.

“Fantasiada??” eu repeti, e então a resposta veio mais leve, permitindo que usasse somente algum adereço carnavalesco ou uma maquiagem mais elaborada, caso não estivesse no clima de aparecer pintada de azul vestida de Smurfete na festa.

Lembrei-me dos bloquinhos do Rio de Janeiro que, tirando algumas pessoas mais criativas e com tempo livre que se produzem mega para o carnaval, a grande maioria porta apenas algo que induz a uma fantasia.

Comprei então uma tiara com anteninhas de abelha, um charme, e coloquei na bolsa. Afinal, ainda está muito cedo para sair pagando mico por Roma vestida de abelhinha.

Chegando na festa, logo notei que ninguém mais estava fantasiado. Obviamente indaguei ao meu amigo sobre essa questão e ele disse que as pessoas fantasiadas estariam dentro da balada. Mas elas não estavam não.

A tiara de anteninhas de abelha, que já tinha saído da bolsa, em poucos minutos para ali retornou.

Mas afinal não era uma festa de carnaval?

Não, não era.

Um show cover, isso mesmo, cover, estava rolando. E o cover era de Rino Gaetano, um cantor italiano que morreu precocemente em um acidente de carro em Roma.

No início, as pessoas assistiam ao show sentadas, mas aos poucos foram se levantando, cantando, balançando os braços, ao som da performance cover. Quando me dei conta, estavam todos em pé, cantando histericamente, para não dizer gritando, dançando horrores, para não dizer pulando, como se o próprio Rino tivesse feito uma aparição no palco.

Eu tenho que dizer que, sinceramente, vi poucos públicos tão empolgados assim na minha vida. Em um show cover então, nenhum. Bom, na verdade, acho que jamais estive em um show cover. Vou rever os meus conceitos.

Pois bem, o show terminou aos gritos “Rino está entre nós!” e aí eu percebi que a noite bizarra estava apenas começando.

Um tipo de música que eu jamais havia ouvido antes, e depois vim a saber que se trata de uma música típica da Puglia, do sul da Itália (mais precisamente o “salto da bota”), começou a tocar.

Esse som e essa dança são chamados de Pizzica e Taranta, e foram embalados, no meio da boite, por toda uma juventude saltitante que sabia todos os passos, as letras, e, se divertindo demais, dançava freneticamente. Uma, duas, três… várias músicas e os pulinhos non stop me cansavam só de olhar.

No final, meu amigo disse que essa era uma balada alternativa tipo as underground de Berlim.

Pizzica e Taranta
Foto: Reprodução

 

Olha, não é por nada não, mas acho difícil em Berlim bailarem a Taranta…

Para ilustrar melhor esse cenário, veja o vídeo de uma demonstração de Pizzica e Taranta e imagine eu de pertinho tendo essa experiência no meio da balada!

No mínimo, alternativo mesmo.

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