Fugindo das gafes na Itália

Cada cultura tem as suas particularidades e muitas vezes o que para um povo é totalmente normal, para outro é uma ofensa.

A Itália é um país ocidental, europeu, com fortíssima influência na cultura brasileira, sobretudo na paulista, então não é que as diferenças culturais sejam muito gritantes.

Porém… Existem algumas atitudes que são vistas como mega gafes por aqui… E por isso resolvi compartilhar. Eu, particularmente, gosto de sabê-las. E se vou segui-las… Aí depende do dia! Hihihi…

– Queijo parmesão

Muitos brasileiros reclamam que os italianos ficam regulando o queijo ralado na massa. Mas na verdade faz parte da cultura gastronômica italiana seguir à risca o que veio da cozinha. Em outras palavras, o chef sabe o que está fazendo e se o prato pedido comporta queijinho ralado, ele assim virá até a mesa (salvo raras exceções que o garçom traz o potinho à parte).

E, se não veio com queijo, é porque teoricamente não combina com a massa. Por exemplo, massa com peixe ou com frutos do mar não leva queijo parmesão.

Óbvio que você pode pedir (mais) queijo, mas já entenda porque vão te olhar com cara feia!

– Refrigerante

Na Itália, é muito comum, mas muito mesmo, tomar uma taça de vinho no almoço. Não importa se você tem que trabalhar depois, se está almoçando com a galera do trabalho, nada disso. Não pega mal. O que pega mal é pedir um refrigerante.

Na minha opinião, os olhares de reprovação até vêm melhorando quando se pede uma Coca Cola, mas é fato que ela ainda não entrou nos hábitos da italianada. Alguns restaurantes mais simples e tradicionais nem servem Coca. Não quer vinho hoje? Água é a pedida.

 

– Colher

Há alguns anos, virou moda no Brasil comer macarrão com a ajudinha da colher. Eu já tinha ouvido dizer que era “feio” na Itália e realmente aqui comprovei que em nenhum restaurante, do mais simples ao mais refinado, deixam a colher na mesa para dar um help.

Eu particularmente nunca me dei bem com ela, regras de etiqueta à parte, mas por coordenação mesmo. Então nunca a pedi aqui. Mas nem preciso ter tentado: tenho certeza que vão “torcer o nariz” também.

 

– Cafezinho

Tomar um cafezinho na Itália significa mais do que somente o ato de colocar cafeína no corpo.

Enquanto no Brasil “passa lá em casa para a gente tomar um cafezinho” é uma maneira de se convidar para uma visita para colocar a prosa em dia, na Itália é o modo de te oferecer algo, de fazer uma gentileza, e dar um break no dia. Normalmente quem convida para um café, paga por ele, e recusar também pode ser visto com maus olhos.

Eu que não gosto de café peço outra coisa, como um chá ou um refrigerante. Confesso que eles estranham eu não gostar de café, mas o que importa é não fazer desfeita.

 

– Cigarro

Na Itália, é permitido fumar em locais abertos e pouco importa se estamos embaixo de um guarda-sol, ou entre paredes, como as mil ressalvas da lei brasileira.

Assim, em mesas na rua ou no terraço em bares e restaurantes sempre é permitido fumar. Portanto, os fumantes podem acender seus cigarrinhos sem medo.

 

– Tratamento de cortesia

Quem quer arriscar o italiano, precisa saber um pouco como funciona o tratamento de cortesia da língua.

Em italiano, lei significa “ela”. Mas é também o tratamento de respeito usado quando se fala com pessoas mais velhas, ou simplesmente com quem não se tenha intimidade.

Seria como nós usamos, no Brasil, “senhor” e “senhora” numa conversa, tipo “A senhora é sempre bem vinda aqui.”

Na Itália, não importa se seu interlocutor for homem para este tipo de tratamento. O lei de cortesia não varia. E a sua conjugação é também a mesma da terceira pessoa, ou seja, do “ela”. Exemplo:

Tu (tratamento informal): – “Tu sei sempre benvenuta qua.” = “Você é sempre bem vinda aqui.”

Lei (tratamento de cortesia): – “Lei è sempre benvenuta qua.” = “A senhora é sempre bem vinda aqui.”

Portanto, cuidado ao se dirigir aos italianos, principalmente aos mais velhos, porque muitas vezes chamá-los de tu é mal visto e alguns até dão um “pedala” e pedem para ser chamados de lei!

 

– Idosos

Tudo indica que na Itália não existe lei de proteção ao idoso, como temos no Brasil, em que eles podem escapar de filas em bancos, correios, supermercados, etc. Assim, se um velhinho chegar depois de você na fila, dificilmente ele pedirá preferência. Vai de cada um fazer a gentileza.

Sinceramente, eu nunca vi aqui ninguém dando passagem para os mais velhos. Só lugar para se sentar no ônibus e no metrô. Pelo menos…

 

– Igrejas

A Itália é um país tradicionalmente católico, é a casa do Papa (afinal o Vaticano está em território romano), e, portanto, gafes nas igrejas quase sempre vêm acompanhadas de uma bronca.

Primeiro é preciso prestar atenção no dress code, ou seja, como se vestir para entrar nas igrejas. Em regra, ombros e pernas de fora (acima do joelho) são proibidos. Assim, você pode chegar até o Vaticano e não conseguir nem entrar na Basilica San Pietro se não estiver vestido(a) adequadamente.

Uma maneira das mulheres de driblar este problema nos dias quentes – porque ninguém merece ficar de calça jeans nos 40 graus do verão aqui – é levar sempre uma pashmina ou um lenço na bolsa e se cobrir um pouco para não levar sermão. Algumas igrejas pelo interior da Itália até disponibilizam xales na entrada. Mas em Roma nunca vi.

A maioria das igrejas não permite que se tire fotos dentro delas e se você sacar sua máquina, é certo que tem sempre alguém que vem chamar sua atenção.

É importante também não ser barulhento, porque, afinal, não nos esqueçamos: as igrejas italianas parecem obras de arte mas são, em primeiro lugar, locais sagrados para reza.

Aconteceu uma vez de eu ter um ataque de tosse durante a missa – obviamente alheio à minha vontade – e uma senhora brigou comigo no meio da reza… Como eu contei aqui!

Ops…
Foto: Reprodução

😉

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3 thoughts on “Fugindo das gafes na Itália

  1. valbérica Lira says:

    adorei. Preciso de mais dicas pq comecei a namorar um Italiano pouco tempo

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