Depois de um ano e meio de volta ao Brasil, pisei em solo romano novamente no mês passado. Confesso que a expectativa gerou uma bela de uma ansiedade, aquela curiosidade de saber como me sentiria em estar de volta como turista à cidade que por pouco mais de um ano foi o meu lar.
Sair do aeroporto Heathrow, em Londres, e desembarcar em Fiumicino, em Roma, é sempre um choque cultural. Em Londres, a segurança pega pesado, não deixa escapar no raio X nenhum frasquinho com menos de 100ml na mala de mão fora do saco plástico. As pessoas falam baixo, são cordiais na maior parte das vezes, e discretas. Ao aterrissar em Roma, a gente logo se lembra que está na Itália. Já na esteira de bagagem, dois funcionários conversam a metros de distância entre si em um tom de voz altíssimo e debochado. “Como eu amo essa bagunça”, eu penso toda vez.
Fiquei hospedada em Trinità dei Monti, em cima dos famosos degraus que levam à Piazza di Spagna. A vista era belíssima, mais ainda no pôr do sol, que fazia questão de deixar o céu todo cor de rosa por trás dos telhados de Roma. Um espetáculo.

Foto: magari blu
No primeiro dia, fui passeando sem pressa do centro histórico até Trastevere, o bairro onde eu morava. Passei pela Via dei Condotti, dei uma olhada nas lojas, fui até o Pantheon, matar a saudade de um dos pontos que mais adoro em Roma, até que cruzei o rio Tevere e cheguei à Piazza Trilussa.
A Piazza Trilussa e eu somos velhas conhecidas, pois ali ficava o meu apartamento. Aliás, ele ainda está ali, quem não está mais sou eu. De longe já notei que a praça estava em reforma, o que me deixou contente, pois a sua fonte com a escadaria que abriga inúmeros jovens todas as noites, que conversam, riem e bebem madrugada adentro, estava mesmo precisando de um reparo.
Logo ali atrás da fonte, estava ele, o meu predinho cor creme, onde os andares têm estilos diferentes de janelas. O meu, o quarto, na minha opinião é o mais charmoso, com três janelas de ponta a ponta em forma de arcos, que se abriam como portas. Olhei para a porta do prédio e percebi que, assim como a fonte, ela também havia sido renovada e estava pintada de verde escuro, brilhando como nova. Aproximei-me e meu nome não estava mais na campainha… Agora ali estava um Lorenzo qualquer coisa, que escreveu embaixo de seu nome “CEO”. “Quem escreve CEO na campainha do apartamento?”, logo pensei. Tive a impressão que meu apê não estava mais em boas mãos, mas talvez eu assim pensasse com relação a qualquer outro morador. É um sentimento difícil ver o local que foi a nossa casa sendo habitado por outra pessoa, não é?
Dei alguns passos para trás, olhei novamente para cima para avistar as janelas em forma de arco. Lembrei da vista linda que a sala tinha para o rio. Suspirei fundo e não me contive. Chorei como um bebê na porta de onde era a minha casa, sob o olhar curioso do garçom do restaurante ali do lado, que se lembrou de mim, mas não teve coragem de perguntar como eu estava depois que não consegui segurar as lágrimas.
A razão do meu choro não foi tristeza nem arrependimento. Foi saudade. Estar ali novamente me trouxe vivas como nunca as minhas memórias em Roma. Foi um ano cinematográfico, especial, diferente. E obviamente que deixa saudade, como já deixava desde quando parti.
Passada a emoção do primeiro dia, aproveitei a cidade como turista nos outros dias que se passaram. Fui nos meus cantos preferidos, almocei e jantei nos restaurantes que estavam sempre no meu repertório. Não curti tanto Roma como quando lá eu morava, porque o verão, cheio de gente amontoada no centro histórico, nunca foi a minha faceta preferida da cidade eterna. Mas foi uma bela experiência voltar à minha cidade predileta no mundo e ver que ela assim continua. E acho que para sempre continuará.

Foto: magari blu

Aninha eu sou sua fã e te acompanho o tempo todo!Desejo todo sucesso do mundo para você!!!!Adoro viajar e agora quero mais do que nunca voltar para Roma!!!
Um beijo grande querida!!!
Renata
Obrigada, tia Renata!!! 🙂 Adorei seu recado.
Te espero sempre por aqui!
Um beijo grande,
Aninha
Esse post me fez chorar muito, tb já morei em Roma, em Trastevere tb, por quase um ano, em 2009, porém, ainda não tive a oportunidade de retornar. Mas lendo cm vc se sentiu ao retornar ao local onde vc morava, eu me imaginei fazendo o mesmo no dia que eu voltar. Adorei seu post, sempre te acompanho por aqui!! Bjos, Ana Claudia!!
Ana Claudia, obrigada pela mensagem! Realmente Roma é uma cidade que nos toca e com certeza você entende o meu sentimento. Fico feliz que você esteja sempre por aqui, deixe seu recadinho mais vezes!
beijos
Saudades de um tempo que não volta mais… E muito bacana ler as suas crônicas, continue sempre a dividir conosco as suas historias!
Bjinhos.
Obrigada, Marieta! Estou trabalhando em um projeto que você que curte minhas crônicas vai gostar! Aguarde!! 😉
beijos
Oi Ana!! Adoro seu blog e suas dicas!! Tb me emocionei com seu post, pois no mesmo dia em que li estava em Roma e passei na Piazza Trilussa. Jantei no Zi Umberto (indicação sua) e amei!! Mas voltando à cidade… Roma é um dos lugares mais incríveis que já conheci, tem uma energia indescritível. É a segunda vez que estive lá e voltei ainda mais apaixonada!!! Eu e meu marido já decidimos que ainda voltaremos para uma temporada maior, não um ano, mas talvez um mês, dois… Obrigada por dividir seus sentimentos e suas dicas conosco e parabéns pelo trabalho!! Adoro navegar por aqui!!! Beijos, Cláudia
Oi Cláudia, eu que agradeço pela suas gentis palavras por aqui! Você não reconheceu o meu prédio lá, não? 🙂
beijos e volte sempre!
Oi!! Encontrei por acaso seu blog e estou descobrindo ele aos pouquinhos. Esse é o primeiro post que leio e me identifiquei muito com você escreve. Fiz um curso na Università per Stranieri di Perugia e por conta disso fiquei em Perugia por um mês inteirinho. Procurava uma palavra para descrever o meu ‘soggiorno’, não só naquela cidade assim como em todas as outras que visitei, e você disse resumiu tudo o que senti quando escreveu ‘cinematográfico’!! Tudo foi tão mágico, único! Estou anotando suas dicas para quando voltar na Itália visitar os novos lugares e repetir o que mais gostei, além de me emocionar, e chorar que nem você. Parabéns, o blog é lindo!!
Obrigada, Lene! 🙂 A Itália é apaixonante e todo mundo que viveu lá nutre esse mesmo sentimento. Obrigada pela visita e te espero sempre por aqui!
Não morei em Roma, Ana, mas aí passei belos dias, em 2000.
Se você me permite, deixo um link para o meu relato de viagem: http://ogozodaletra.blogspot.com.br/2010/11/minha-dolce-roma.html
Vou ler seu blog inteirinho, buscando dicas atualizadas.
Obrigada!
Olá, Ana! Obrigada pela visita. Esperamos que encontre o que procura e se precisar de alguma informação, é só falar! Obrigada pelo link – vamos conferir!
Estou aqui em Roma desde ontem, vinda de Londres, e parece que já estou há uma semana! Adorando tudo, a começar pelo frio mais ameno.
Gostaria de alguma dica sobre como não enfrentar fila para o Coliseu.
Outra coisa: aceito recomendações de restaurantes para almoçar.
Abraços e obrigada!
Olá, Ana! Para cortar filas em locais como o Coliseu e o Vaticano, vale a pena comprar os tickets com antecedência pela internet, como neste site: http://www.rome-museum.com/?gclid=CIjQoormjLwCFSho7AodZxkAVA
Para almoço, existem muitos tipos de restaurantes em Roma! Se quiser algo mais informal, indico o Zi Umberto em Trastevere (https://magariblu.com/ma-che-carbonara/), Maccheroni, perto do Pantheon (https://magariblu.com/sorvete-nas-frutinhas-surpresa-do-ristorante-maccheroni/) ou qualquer um dos indicados aqui: https://magariblu.com/viajar-para-roma-gastando-pouco/
Para almoço em restaurantes mais arrumadinhos, sugiro o Nino (https://magariblu.com/nino-o-sabor-da-toscana-em-roma/), o Dal Bolognese (https://magariblu.com/dal-bolognese/) e o Casa Coppelle (https://magariblu.com/restaurante-casa-coppelle-em-roma/), além do Casina Valadier, para almoço com vista na Villa Borghese (https://magariblu.com/casina-valadier-em-roma/). Aproveite a viagem!! 🙂