Dicas de Berlim por Laura Ammann
A Berlim de hoje lembra em muito pouco a Berlim do começo do século passado. Depois de duas guerras, de uma drástica divisão e de uma forte modernização, a cidade mudou muito. No entanto, os indícios do passado estão sempre visíveis, seja nas Stolpersteine (as plaquinhas douradas, tão frequentes nas calçadas berlinenses, que relembram as vítimas da Segunda Guerra), em Teufelsberg (onde literalmente camadas de história se acumulam na montanha) ou em instituições culturais como a Sammlung Boros (que já foi tudo antes de ser a coleção de arte contemporânea que é hoje).
Só que às vezes esse lembrete vem de forma inconveniente… Foi o caso no último dia 2 de outubro, quando uma bomba da Segunda Guerra foi descoberta no bairro de Schöneberg – onde moro.

Foto: Reprodução / Berliner Morgenpost
A reminiscência foi achada durante obras que estavam sendo feitas um pouco a oeste da estação de Innsbrucker Platz do metrô berlinense, por acaso a estação mais próxima da minha casa, que uso todos os dias.
Durante o dia a polícia publicou diversos comunicados através do seu Twitter, orientando os moradores da região contida em um raio de 500m a partir da tal bomba. A polícia, juntamente com uma equipe formada por voluntários e outros órgãos públicos, realizou contatos esporádicos com a população afetada por meio também de auto-falantes.

Foto: Reprodução / Berliner Morgenpost
No final do dia cerca de 10 mil pessoas foram evacuadas de suas casas e abrigadas temporariamente na subprefeitura do nosso bairro, a Rathaus Schöneberg – antiga prefeitura da Berlim Ocidental.

Foto: Reprodução / Berliner Zeitung

Foto: Reprodução / Berliner Zeitung

Foto: Reprodução / Berliner Zeitung
O trabalho das equipes envolvidas foi bastante rápido e, no dia seguinte, tudo já estava normalizado. A bomba foi cuidadosamente retirada de seu local e as publicações da polícia de Berlim, retiradas do Twitter – por motivos de segurança, será?

Foto: Reprodução / Berliner Zeitung

Foto: Reprodução / Berliner Zeitung
O prédio onde vivo, por sorte, era um dos primeiros fora do raio de evacuação, e por pouco eu não tive que dormir lá na prefeitura! Imagino que para qualquer brasileiro essa seria uma experiência interessante. Para mim foi.
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