Tive a minha primeira experiência com as companhias aéreas “low cost” na Europa. Foi interessante.
Para começar, você pode levar somente um volume no avião. Só a malinha de mão, pequenininha, pesando até 10 quilos. Isso significa que a mulherada não pode levar bolsa! Isso mesmo, por um volume leia-se um volume mesmo. Nem uma sacolinha do Free Shop. Tem que fazer caber tudo na pequena mala.
Passei alguns dias planejando a minha mala de inverno para passar 4 dias em Madrid pois afinal casaco e bota são um luxo que não se pode ter ao viajar de Ryanair.
Feita a mala, que, obviamente, levou muito mais tempo para ser planejada do que para ser executada, lá fui eu para o Aeroporto de Ciampino, em Roma.
Se você já esteve em Roma, existem enormes chances de ter desembarcado por Fiumicino, que é o aeroporto grande e mais internacional do lugar. Ciampino é tipo Congonhas de Roma.
Chegando ali, me deparei com uma fila quilométrica para o embarque.
Sabe quando a gente vê todo mundo em pé na fila antes de iniciar o embarque, faz um ar “blasè” e espera o povão entrar para não ficar igual a um tonto horas em pé? Então, nas companhias de vôos baratos faz muito sentido ficar na fila porque não existe lugar marcado.
Chegou e sentou, tipo um ônibus.
Quando chegou a minha vez, entreguei meu bilhete pré-impresso em casa e o atendente (me disseram que não existe a palavra aeromoço) me disse que eu não podia embarcar sem ter feito o controle do meu passaporte e visto antes.
– Mas dá tempo de voltar no check-in?
– Melhor você correr, bella.
Em outras palavras, tive que sair em disparada arrastando a minha malinha micro laranja pelos corredores do aeroporto, voltar ao check-in, validar meu bilhete, passar pelo raio x, tudo de novo assim. E os passageiros já tinham todos entrado no avião.
Corri a meia maratona de Ciampino e, passando por de baixo de todas as cordas, consegui embarcar. Quer dizer, consegui chegar ao embarque e me deparar com uma cena bem conhecida minha: ir andando pela pista até o avião, como a gente faz nos aeroportos do interior de São Paulo.
“Não é o primeiro avião, hein, é aquele outro de lá!” foi a instrução recebida. Me senti em casa.
Ok. Subi a escadinha ofegante. A aeromoça me aconselhou a deixar minha mala na terceira fileira. Olhei para cima e o bagageiro estava cheio. Olhei para baixo e captei a mensagem. Algumas fileiras são deixadas vazias para a galera colocar as malas, porque óbvio que não cabem as malinhas de 300 neguinhos no avião.
Feito isso, depois até que dei sorte porque um senhor estava tentando dar o gato, deixando o casaco dele na poltrona, e o pessoal todo passando batido e indo mais para o fundo. Mas eu soltei um “è libero?” e me acomodei.
A aventura certamente estava longe de terminar.
Que a comida é paga nesses vôos, eu já sabia. Mas não sabia que era um camelô entre as nuvens.
As aeromoças anunciam no microfone e passam depois pelo corredor, sorridentes, oferecendo mil produtos. E que produtos são esses? Perfumes do Duty Free com um desconto de 17 euros… Sim, tudo bem até aí.
Na seqüência… E eu juro por tudo… Anunciaram a venda de raspadinhas beneficentes! Raspadinhas, sabe? Que você raspa e vê o que te espera por debaixo daquela tinta prateada.
E o pior… As pessoas comprando loucamente as raspadinhas! Será que alguém ganhou alguma coisa? Acho que não porque não ouvi nenhum “bingo!”.
Eis que anunciam que é expressamente proibido fumar no avião, coisa que todos nós já sabemos. Terminado o anúncio, este foi seguido de:
– Mas se desejaram experimentar os incrííííííveis cigarros sem fumaça, estes são permitidos no nosso vôo! E vêm em 2 sabores!
E lá vai a aeromoça toda sorridente com os maços do cigarro de mentirinha, mas com nicotina, para estragar a sua saúde no ar.
Porém o melhor estava guardado para o final! Aterrisamos e uma musiquinha de corneta tipo do desenho animado do papaléguas tocou seguida por uma gravação
“Weeeeeeelcome to Madrid!”.
A resposta dos passageiros? Aplausos.
Vale a pena toda essa função? Vale! Ir de Roma a Madrid por 39 euros vale qualquer negócio. Pelo menos na minha concepção.
Na volta, vou experimentar a sorte e, quem sabe, ganhar um carro no valor de 30.000 euros na raspadinha. Wish me luck.


ana eu tb acho mega engracado os aplausos no pouso do voo, e ja fui a varios lugares com ryan air, e sempre a galera aplaudi. hehehe
E tocam a cornetinha também?? Hahaha…Beijos
Nao sabia, super interessante!!!
Ana que delíiiiiiiiiicia de texto…!!!!!!!Adorei ler cada letrinha!!!
Risos, adorei !! Essa correria toda me lembrou a minha chegada no estação de trem de Roma rumo a Veneza.. cinco minutos antes do trem sair estamos dentro do metro risos.. boa sorte na raspadinha !!!